sábado, 5 de setembro de 2026

Senado aprova direito prioritário da criança a meio ambiente saudável


O direito de crianças e adolescentes ao meio ambiente, “com prioridade absoluta”, é o que determina o chamado ECA Ambiental, projeto aprovado pelo Senado na última quarta-feira (2). O texto aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre outros pontos, o projeto prevê o direito da criança e do adolescente à natureza, inclusive a áreas naturais saudáveis, o brincar livre em contato com ambientes naturais, a educação baseada na natureza e a participação na defesa, conservação e recuperação ambiental.

De autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), o Projeto de Lei (PL) 2.225/2024 modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938, de 1981).

No primeiro caso, a alteração é para definir como dever da família, da sociedade e do Estado a efetivação do contato com o meio natural para crianças e adolescentes.

Em relação à política nacional, o texto inclui o direito da infância ao meio ambiente equilibrado entre seus princípios.

Além disso, a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187, de 2009) ganha um dispositivo que torna obrigatória a atuação governamental prioritária na mitigação dos impactos climáticos sobre esse público.

Prioridade para primeira infância

Terão prioridade na efetivação dessas garantias as crianças na primeira infância e aquelas com deficiência. O texto confere ainda atenção especial a crianças e adolescentes de povos e comunidades tradicionais e rurais.

Além disso, prevê diretrizes para o espaço escolar, o entorno da escola, a acessibilidade, a integração com áreas verdes e o planejamento de ações de resposta a desastres climáticos que garantam a continuidade do aprendizado.

O projeto também estabelece diretrizes sobre proteção ambiental, participação de crianças e adolescentes em políticas climáticas, prevenção de desastres, deslocamentos provocados por mudanças climáticas e mitigação de episódios críticos de poluição atmosférica.

A matéria diz que o atendimento pleno desses novos direitos passa a ser objetivo buscado pela União, estados, Distrito Federal e municípios.

Os senadores aprovaram o parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentado à Comissão de Meio Ambiente (CMA). O senador destacou que a iniciativa coloca as crianças e os adolescentes no debate sobre políticas ambientais.

“A crise ambiental não produz efeitos homogêneos, uma vez que seus impactos incidem de modo mais intenso sobre grupos em condição de maior vulnerabilidade, especialmente crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, comunidades tradicionais, populações rurais e famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Ao reconhecer essa assimetria, o projeto aproxima a política ambiental de uma perspectiva de justiça socioambiental”, afirmou o senador.

Com informações da Agência Senado

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Manguezais e as Mudanças Climáticas


Os manguezais são ecossistemas costeiros de grande importância para o equilíbrio ambiental. Encontrados principalmente em regiões tropicais e subtropicais, em especial no litoral maranhense, eles estão presentes no encontro entre os rios e o mar, formando áreas onde a água doce e a água salgada se misturam.

Além de servirem de abrigo e local de reprodução para diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e outros animais, os manguezais desempenham um papel fundamental no combate às mudanças climáticas. 

Suas árvores, raízes e sedimentos conseguem armazenar grandes quantidades de carbono, contribuindo para reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Por outro lado, as mudanças climáticas representam uma ameaça aos próprios manguezais. A elevação do nível do mar, o aumento da temperatura, as mudanças no regime de chuvas e a ocorrência de eventos climáticos extremos podem alterar esses ambientes e prejudicar sua biodiversidade.

A destruição dos manguezais também agrava o problema. O desmatamento, a ocupação irregular das áreas costeiras, a poluição e o descarte inadequado de resíduos comprometem a capacidade desses ecossistemas de armazenar carbono e proteger as comunidades próximas.

Preservar os manguezais significa proteger a biodiversidade, fortalecer a defesa natural das áreas costeiras e contribuir para o enfrentamento da crise climática. Cuidar desses ambientes é investir no futuro do planeta e das próximas gerações.

Manguezais não são apenas áreas entre o rio e o mar. São verdadeiros aliados da vida e do clima.

Pantanal: enfrentar mudanças climáticas depende de outros cinco biomas


Pequeno em extensão, mas gigante em acolhimento, o Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas. Ao todo são cinco: Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e Paraguai.

Brasília (DF), 27/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Cyntia Santos. Foto: Guilherme Kardel/WWF
Cyntia Santos: características fazem com que o Pantanal seja grande reservatório de água, diz Cyntia Santos, do WWF-Brasil. Foto: Guilherme Kardel/WWF

A característica faz com que o Pantanal seja um grande reservatório de água e vida que percorrem longas distâncias e alcançam a maior planície alagável do mundo. E a diversidade criada pelo encontro das águas é o que resulta na beleza natural da região, mas também é o que a torna mais vulnerável e ameaçada pelas mudanças climáticas.

“É uma planície que depende da reação e das causas nos outros biomas e é afetado por toda essa situação. Ainda mais com as mudanças climáticas atuando também no  entorno dele”, diz Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

De acordo com os dados do último mapa de uso e cobertura da terral, divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985.

A área perdida corresponde a 84% do que havia de savana alagada no bioma, sendo que a maioria, 833 mil hectares, foi convertida em outros tipos de formação, como a savânica ou a campestre. Na prática, isso significa que o Pantanal está secando.

“Partes de rios já sumiram, assorearam, lugares que a gente chama de vazantes, alguns canais que a gente chama de vazantes, que são partes que o rio enche e esvazia, hoje não tem mais e os rios estão bem fracos”, afirma o engenheiro florestal e botânico Cluadinei Terena.

Nascido na Terra Indígena Limão Verde, no município de Aquidauana (MS), Claudinei se recorda de uma época em que a abundância de água enriquecia o solo e tornava a região propícia para plantar todo o necessário.

“São coisas que eu aprendi de pequeno, vamos construir aqui uma casa, essa madeira, essa espécie é boa para isso. Vamos procurar umas plantas medicinais. Essa árvore aqui serve para isso, a casca, o fruto, a folha e a raiz cada um serve para alguma necessidade”, conta.

Fazendo uso do conhecimento tradicional, Claudinei atuou no projeto de restauração 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios dentro da Terra Indígena. O objetivo era garantir que a água que flui direto para o Pantanal, também mantivesse aquele pedaço de Cerrado produtivo.

“Um dos exemplos que a gente apresenta aqui dentro da comunidade é o nosso sistema de cultivo. Nós sempre trabalhamos com agrofloresta sem a gente perceber. A gente sempre plantou em consórcio com alguma coisa”, explica.

Rede

Um pouco mais distante do Pantanal, o coletor de sementes Adauto Cândido Pereira vive na comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS). Integrante da Rede Flores do Cerrado, ele também reconhece na restauração das nascentes o caminho para recompor rios.

Com a coleta consciente e comercialização das sementes, o trabalho de restauração das margens de rios vai muito além do próprio território. “A gente coleta para atender outros projetos do Estado. Somos 31 coletores e coletoras, sendo 16 mulheres e 15 homens e trabalhamos com regras básicas de coletor, de deixar 30% da semente na árvore. Não chega e pega tudo. Tem cuidado com a árvore, com o meio ambiente.”.

Restauração

De acordo com Cyntia Santos os dois projetos são parte das intervenções de restauração das cabeceiras de rios feitas pelo WWF-Brasil no bioma Cerrado para frear as transformações no uso da terra que causam o soterramento das nascentes e impedem o fluxo dos rios contribuintes que escoam para o Pantanal.

“É uma consequência de atividades econômicas feitas, muitas vezes, de forma desorientada, sem experiência. Falta apoio técnico, falta incentivo”, diz Cyntia Santos.

Segundo o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, em 30 anos de atuação da organização social no Brasil, 22 são de atuação mais intensificada no Pantanal.

Brasília (DF), 27/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. Foto: Guilherme Kardel/WWF
Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, tem 22 anos de atuação intensificada no Pantanal, . Foto: Guilherme Kardel/WWF - Guilherme Kardel/WWF

“A gente trabalha nesses territórios, nessa pegada com parceiros, sempre visando impactos locais, mas também a aprendizagem, geração de dados e conhecimento que nos permitam influenciar as políticas públicas”, explica.

Energia

Para restabelecer os fluxos dos rios para o Pantanal, também são desenvolvidos projetos de conscientização sobre outros usos dos corpos de água, como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, além de fragmentarem os rios, esse tipo de investimento afeta a biodiversidade aquática e a economia regional mais vocacionada ao turismo.

“A energia elétrica ela tem que ser por outras fontes, por exemplo, energia solar, que é uma das mais adequadas para região, já que pequenas centrais ou hidrelétricas para essa região não trazem recursos econômicos nem para governo nem para as populações locais”, diz.

Dentro do Pantanal, ações para o enfrentamento aos incêndios florestais e a conectividade de vegetação nativa, por meio de corredores que ligam unidades de conservação já existentes, fortalecem espécies como a onça-pintada, um indicador da saúde e da integridade da biodiversidade local.

De acordo com Cyntia, o conhecimento tradicional dos povos que habitam o bioma é peça fundamental em todo o processo de enfrentamento aos desafios. “A gente consegue com isso potencializar informações, trabalho conjunto, otimizar estratégias e juntos avançar”, conclui.

Com informações da Agência Brasil

Reino Unido anuncia 400 milhões de libras para Fundo Florestas Tropicais


O Reino Unido anunciou a intenção de investir 400 milhões de libras no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa lançada pelo Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em novembro do ano passado, em Belém.

O aporte será realizado na forma de empréstimo e ainda depende da conclusão da estrutura de governança, das regras operacionais do fundo e de processos de análise, além de outras condições estabelecidas pelo governo britânico.

Segundo o governo do Reino Unido, a opção pelo empréstimo, em vez de uma doação, busca ampliar o volume de financiamento climático disponível sem aumentar o custo para os contribuintes. A modalidade também está alinhada a uma nova estratégia de financiamento climático do país, que pretende atuar mais como investidor do que como doador.

Os investidores que compram os títulos emitidos pelo TFFF recebem juros fixos e estáveis. A decisão britânica está condicionada, entre outros pontos, à definição do tamanho final do fundo, dos mecanismos de crédito, da estrutura financeira e dos termos do empréstimo. O governo também pretende participar dos mecanismos de supervisão do fundo.

No TFFF, países que conseguirem recuperar e manter suas florestas de pé serão recompensados financeiramente por esse esforço. Eles só receberão os valores após verificação por imagens de satélite que confirmem níveis de desmatamento abaixo de limites pré-definidos.

O fundo também prevê um protagonismo das populações indígenas e povos e comunidades tradicionais, que desempenham papel direto na proteção das florestas. O mecanismo propõe destinar pelo menos 20% dos pagamentos nacionais a essas populações. 

Para o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, a adesão britânica ocorre em um momento importante para ampliar a iniciativa.

“É muito significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo. Este compromisso reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais: valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva”, analisa Mauricio.

A expectativa é que o anúncio inspire novas adesões pelo mundo.

“Esperamos que o compromisso do Reino Unido seja um estímulo para que outros países avancem também e ajudem a levar essa solução à escala que a crise exige”, disse.

Com informações da Agência Brasil

Depois da COP17, Brasil é cobrado a efetivar metas de restauração


A meta do governo brasileiro de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030 foi elogiada pelas Nações Unidas e por organizações da sociedade civil.

A promessa, no entanto, vem acompanhada de cobranças para que ela seja tirada do papel e solucione os problemas enfrentados pelo país.

A especialista em sistemas alimentares da WWF-Brasil, Luiza Soares, chamou a meta brasileira de "ambiciosa", mas que ela precisa ser traduzida em resultados concretos.

"Implementar esses objetivos requer uma abordagem integrada no uso da terra, que significa colocar ao mesmo lado a conservação e a restauração dos ecossistemas, a recuperação da produtividade de áreas degradadas, o manejo sustentável do solo e a transformação dos sistemas alimentares agrícolas", diz.

"Pessoas que vivem e dependem dessas terras devem ser incluídos de maneira significativa, especialmente nos lugares onde a degradação afeta diretamente a segurança alimentar e hídrica, os meios de subsistência e a natureza", complementa.

O conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), Pedro Sena, disse que a sociedade deve acompanhar e fiscalizar o compromisso assumido pelo país durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbatar, capital da Mongólia, nas últimas duas semanas.

"A partir de agora, nosso foco deve ser monitorar a situação de perto, para que possamos avaliar e entender, ano a ano, como estamos evoluindo em relação aos nossos compromissos de conservação do solo", avalia.

O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, afirma que a meta foi apresentada com 11 anos de atraso e que, agora, o momento é de acelerar o trabalho

"O Brasil, precisa fortalecer a estrutura administrativa e orçamentária para tirar essa meta do papel. Para isso, a proposta do Instituto Escolhas é a regulamentação da recém-aprovada Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e a criação de uma Secretaria Especial de Recuperação da Caatinga e Combate à Desertificação, vinculada à Presidência da República, com status de ministério, orçamento e quadro funcional adequado à missão", analisa.

Compromisso em números

A restauração prometida pelo Brasil faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês), um compromisso voluntário estabelecido por mais de 130 países que fazem parte da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

Para chegar ao número de 163 mil km², estão previstas iniciativas para recuperar a vegetação nativa, investimento em sistemas agroflorestais, além de ações em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.

Para cumprir as metas LDN, os países precisam aumentar ou manter a quantidade de terras saudáveis e produtivas em seu território.

O Brasil usa como referência o ano de 2020, quando detinha 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Ou seja, para cumprir o compromisso de neutralidade, precisa chegar em 2030 com, pelo menos, o mesmo número.

Também estão previstas ações de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km². Assim, o número oficial das metas LDN é de 3,67 milhões de km², por incluir tanto a área de restauração quanto à de conservação.

Caatinga em destaque

O Consórcio Nordeste, que reúne os nove governos da região, foi à COP17 para apresentar projetos de restauração da Caatinga e tentar ampliar os investimentos no semiárido. O grupo assinou um memorando de entendimento com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) para dar maior visibilidade ao bioma.

Por meio dele, a expectativa é que haja mais cooperação técnica, acesso a metodologias e instrumentos globais de neutralidade da degradação da terra e que o Nordeste seja incluído em novas redes mundiais de regiões secas.

O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, vê o documento como um passo importante para aumentar o protagonismo da região.

"Estamos confiantes de que, a partir dele, teremos mais canais e caminhos abertos para concretizar os projetos e as ações do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica. Com isso, colaborar com o mundo para reduzir emissão de carbono e degradação da terra", disse Gabas.

A secretária adjunta da UNCCD, Andrea Meza, destacou o papel que o Brasil vem desempenhando em construir soluções para os problemas da terra.

"O Nordeste é um território fundamental para fortalecer uma rede de políticas de combate à desertificação, restauração de terras e resiliência climática. Estamos muito satisfeitos com a formalização dessa cooperação", disse Meza.

Com informações da Agência Brasil

Aquecimento além de 1,5°C ameaça saúde, agricultura e economia


Desastres naturais, ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas agrícolas são alguns dos eventos extremos que se tornarão frequentes em um planeta mais quente do que o esperado. 

A conclusão é de especialistas diante do anúncio das Nações Unidas nesta quarta-feira (2) de que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5º C de aquecimento nos próximos anos.

Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, a informação precisa ser tratada com a devida gravidade e provocar esforços urgentes para mudar o cenário.

“Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos”, lamenta André.

E especialista diz que a humanidade pode redesenhar o próprio futuro neste planeta.

"Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza”, complementa.

Em evento promovido pelo pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, disse que a dimensão e a duração do aquecimento determinarão o tamanho dos impactos sobre a sociedade e o meio ambiente.

Quanto mais quente e mais tempo o planeta permanecer acima do limite de 1,5ºC, maior será a necessidade de remoção de dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o aquecimento.

A temperatura global, segundo Thelma Krug, já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com avanço aproximado de 0,26°C por década.

“Fazendo uma conta bem rápida, teríamos três ou quatro anos para limitar o aquecimento, se continuarmos no ritmo atual de emissões”, explicou Thelma.

Prejuízos

O economista Sergio Margulis, especialista do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, destaca os prejuízos econômicos do aumento das temperaturas. Perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam 2% do PIB global.

Margulis indica que é preciso investir na transição energética agora, para não elevar ainda mais esses prejuízos.

“Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização. Só que a gente precisa aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais. Não tem como fugir disso”, analisa o economista.

Margulis também destaca que os governos precisarão ampliar os investimentos em adaptação, porém, o mais urgente é reduzir o problema na fonte.

“Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões. Os países não podem ficar esperando a reversão do clima para agir”, destacou.

O coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), Claudio Angelo, reforça que o relatório da ONU é um alerta para impedir que a ultrapassagem de 1,5°C seja ainda maior.

“Abandonar o objetivo de devolver os termômetros a 1,5ºC não é uma opção; seria assinar um pacto coletivo de suicídio. Mas o pico e o declínio não ocorrerão enquanto países produtores de combustíveis fósseis olharem para essas indústrias como uma benesse em vez de uma maldição”, analisa Angelo.

“É preciso parar já a expansão fóssil no mundo, e a COP31, daqui a dois meses, é uma oportunidade de tomar essa decisão”, finaliza.

Com informações da Agência Brasil

ONU prevê El Niño "muito forte" com duração até fevereiro de 2027


O fenômeno El Niño está "firmemente estabelecido" e deverá aumentar seus efeitos ainda mais nos próximos meses, atingindo intensidade "muito forte" com probabilidade "próxima dos 100%" de durar até fevereiro de 2027, alertou nesta quinta-feira (3) a Organização Meteorológica Mundial.

"O El Niño estabeleceu-se firmemente e irá se intensificar, tornando-se um fenômeno muito forte nos próximos meses, com repercussões significativas nos padrões de temperatura e precipitação, bem como nos riscos associados de inundações, secas e calor extremo", alerta nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Além disso, a organização destaca que as últimas previsões sazonais dos centros de produção globais da OMM indicam "probabilidade excepcionalmente elevada", de quase 100%, de que o El Niño persista até fevereiro de 2027.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a intensificação nos próximos meses do fenômeno El Niño, realçando que o mundo vive uma situação de “alto risco" com eventos climáticos extremos.

"A ciência é inequívoca: o planeta está a entrar em águas desconhecidas, e essas águas estão a aquecer, disse Guterres em comunicado.

As temperaturas da superfície do mar estão atingem níveis recordes, os termômetros continuam a subir em zona de alto risco, onde os eventos climáticos extremos estão se tornando a nova normalidade,

António Guterres lembrou que este evento excepcional do El Niño exige preparação e resposta adequadas.

“Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar", disse.

O El Niño é um fenômeno natural que se repete a cada dois a sete anos. As águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental começam a aquecer na primavera, levando a grandes alterações nos padrões de vento, pressão e precipitação em todo o mundo nos meses seguintes.

As temperaturas da superfície do mar nesta zona do Pacífico equatorial já estão significativamente acima da média e continuam a subir.

As temperaturas estiveram, em média, 1,5 graus acima do normal entre maio e julho de 2026, passando para dois graus acima do normal em julho, segundo a OMM, que cita ainda leituras de 2,2 graus a 2,6 graus acima da média entre o final de julho e meados de agosto, "o que demonstra o contínuo fortalecimento do fenômeno".

Abaixo da superfície do oceano, as temperaturas estiveram ainda mais de 0,8 graus acima da média em algumas áreas durante julho e o início de agosto.

Embora cada El Niño seja diferente, o fenômeno causou ou intensificou historicamente secas e riscos de incêndio em partes da Amazónia, América Central, Indonésia e Austrália, interrompeu a monção na Índia e trouxe chuvas torrenciais para a África Oriental.

O evento climático soma-se às alterações causadas pelas atividades humanas, exacerbando os eventos extremos.

Para o período de setembro a novembro deste ano, as previsões da OMM indicam aumento da probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as massas terrestres, bem como padrões de precipitação consistentes com uma resposta atmosférica forte e clássica a um El Niño intenso no Pacífico.

No ano seguinte ao El Niño, o calor armazenado no oceano é libertado para a atmosfera, contribuindo geralmente para o aumento das temperaturas globais, levando muitos cientistas do clima a prever que 2027 será o ano mais quente de que há registo.

O ano mais quente até agora é 2024, depois do último El Niño.

Com informações da Agência Brasil

Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño


Mais de um terço (38%) das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Mapbiomas. Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.

O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuvas irregulares. Na Amazônia, ele causa seca e aumento na temperatura.

Diante da previsão meteorológica de que o fenônemo será especialmente forte neste ano ─ um "Super El Niño" ─, os pesquisadores cruzaram dados sobre a chuva e a superfície de água sobre a terra para mostrar como a Amazônia foi afetada na última ocorrência do evento climático.

No período entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica dos anos de 1985 a 2025. O volume de chuva também foi inferior, ficando 27% abaixo da média.

A temperatura máxima média durante esses três meses também teve uma alta significativa, 2,6ºC acima do que é historicamente observado no mesmo período.

“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, aponta o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Bruno Ferreira, da equipe da Amazônia do MapBiomas.

Populações

O estudo também observou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos, rurais, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e outras categorias.

De acordo com os pesquisadores, as populações desses lugares foram fortemente atingidas pelos efeitos do El Niño, já que 93% dos locais analisados, 5.273 localidades, ficam a uma distância de até 5 quilômetros das áreas que sofreram redução da superfície de água, aponta o estudo.

“A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais", destaca Bruno Ferreira.

Os dados de cobertura e uso da terra complementam os fatores de exposição do bioma, já que ao longo dos 41 anos da série histórica do estudo sobre o tema, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 14% da cobertura verde existente anteriormente.

No estudo, além dos dados da Coleção 11 do Mapbiomas sobre Cobertura e Uso da Terra, os pesquisadores trabalharam com a Coleção 5 sobre Água, e a coleção beta sobre Atmosfera. Também foram usados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as áreas habitadas e informações do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Veja mais detalhes no Repórter Brasil da TV Brasil:

O planeta pede atenção, e o futuro depende das escolhas de hoje


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O clima está mudando, e os sinais estão por toda parte. Ondas de calor cada vez mais intensas, períodos de seca, chuvas extremas, enchentes, queimadas e o avanço do desmatamento colocam em alerta o equilíbrio ambiental do planeta.

A crise climática deixou de ser apenas uma preocupação para o futuro. Seus efeitos já fazem parte da realidade de milhões de pessoas e atingem cidades, comunidades, florestas, rios, oceanos e diversas espécies de animais.

Neste espaço, o Blog do Carvalhinho News acompanha os principais desafios ambientais e busca levar informação de forma clara e responsável. Vamos falar sobre mudanças climáticas, preservação das florestas, biodiversidade, poluição, sustentabilidade, recursos naturais e as iniciativas que podem ajudar a construir um futuro mais equilibrado.

Mais do que informar, é preciso despertar consciência. Cada decisão tomada hoje pode contribuir para preservar ou comprometer o mundo que será deixado para as próximas gerações.

Porque cuidar do meio ambiente não é apenas proteger a natureza. É proteger a própria vida.

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