quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Falta de dados limita monitoramento de tsunamis meteorológicos


O tsunami meteorológico que atingiu a costa sul de Santa Catarina em 21 de setembro foi registrado por moradores, câmeras e equipamentos instalados em ruas, veículos e embarcações. 

As imagens feitas por pessoas que estavam na região ajudaram pesquisadores a identificar o momento do fenômeno e a direcionar a análise dos dados registrados pela rede profissional de monitoramento.

Apesar da maior disponibilidade de imagens e informações, ainda não é possível determinar com que frequência os tsunamis meteorológicos ocorrem no litoral brasileiro. 

A falta de séries históricas e a quantidade limitada de equipamentos dificultam a identificação de tendências e a avaliação de possíveis mudanças na ocorrência desses fenômenos.

“Agora quase todo local é filmado. É um processo um pouco recente, assim como a ocupação dessa faixa mais próxima da costa, aqui no Sul, que foi muito intensificada nas últimas décadas. Antes disso é difícil afirmar alguma coisa, pois simplesmente não existia monitoramento”, explicou à Agência Brasil o professor Mauro Michelena, que leciona Oceanografia Física na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

O tsunami meteorológico é um fenômeno rápido, associado à interação entre sistemas atmosféricos, como frentes frias, e condições específicas do oceano e da costa. 

Em regiões com áreas de pouca profundidade, determinadas perturbações atmosféricas podem provocar alterações no nível do mar e favorecer a propagação de ondas longas.

A ocorrência de eventos extremos relacionados ao clima e ao oceano tem sido objeto de estudos em diferentes partes do mundo. No entanto, segundo Michelena, não há dados suficientes para afirmar que os tsunamis meteorológicos estejam ocorrendo com maior frequência.

A própria frente fria associada ao fenômeno já representa risco para embarcações pequenas. Na segunda-feira (28), o professor estava embarcado com outros professores e estudantes da Univali para instalar sensores quando a equipe precisou retornar antes do previsto para evitar riscos provocados pelas condições do mar.

Dados

A falta de séries históricas é um dos principais obstáculos para a análise. Segundo Michelena, modelos utilizados para estudar fenômenos desse tipo precisam de registros de várias décadas e, em alguns casos, de mais de cem anos para serem validados.

No litoral catarinense, o monitoramento por meio de marégrafos tem cerca de uma década. O professor participa do acompanhamento dos litorais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e pesquisa as condições dos estuários da região.

A quantidade de equipamentos também influencia a capacidade de detectar e analisar os fenômenos. Em Santa Catarina, que tem pouco mais de 560 quilômetros de litoral, a rede de sensores é composta principalmente por equipamentos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), empresa pública estadual.

Os equipamentos ajudaram a identificar os eventos registrados em novembro de 2023 e em 21 de setembro deste ano. A rede, porém, está configurada principalmente para registros de hora em hora, o que limita a capacidade de acompanhar um fenômeno que pode ocorrer e se dissipar em poucos minutos.

Segundo Michelena, as informações produzidas pelos sensores precisam ser complementadas por registros feitos por moradores, pescadores e outras pessoas que estejam próximas ao local.

“Primeiro teríamos de ter mais dados para entender, e só então poderíamos começar a prever as ocorrências”, afirmou.

Uma rede com maior quantidade de sensores e registros mais frequentes poderia, no futuro, permitir o desenvolvimento de sistemas específicos de acompanhamento e alerta. Atualmente, o país já possui mecanismos de alerta para fenômenos como deslizamentos e chuvas intensas.

Histórico

A ausência de registros históricos também impede afirmar que o fenômeno seja recente. Segundo o pesquisador, tsunamis meteorológicos podem ter ocorrido em outros momentos nas décadas anteriores sem que fossem identificados ou documentados.

O litoral sul de Santa Catarina apresenta características que podem favorecer a ocorrência de ondas de maior energia. A região possui trechos de costa mais expostos ao oceano, além da influência de sistemas atmosféricos que se formam relativamente próximos ao litoral.

“O litoral Sul já recebe ondas com mais altura, com muita energia, vindas do sul do Atlântico. Os sistemas atmosféricos também se formam relativamente mais perto daqui do que do litoral paulista ou fluminense”, explicou Michelena.

Essas características, segundo o oceanógrafo, podem contribuir para condições mais intensas no mar, mas ainda são necessários mais dados para estabelecer uma relação entre essas condições e a frequência dos tsunamis meteorológicos.

Conhecimento dos pescadores

Além dos sensores e das imagens produzidas por câmeras, os pesquisadores também consideram relevantes os relatos de pescadores, que acumulam conhecimento sobre as condições do mar nas regiões onde trabalham.

Para Michelena, esse conhecimento tradicional continua sendo uma fonte importante de informações, mas tem sido afetado pelas mudanças nas condições do oceano e da atmosfera.

“Com as mudanças, o mar não se comporta mais da forma como eles estão acostumados, e passam a recorrer a outras fontes, como os serviços meteorológicos. O conhecimento deles é fantástico, mas diante das mudanças o conhecimento tradicional se adapta aos poucos”, disse.

Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil

MPF apresenta novo recurso contra exploração na Foz do Amazonas


O Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. 

A ação, protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) na segunda-feira (28), pede a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59.

O recurso contesta a decisão da Justiça Federal do Amapá que, na quarta-feira (23), decidiu extinguir a ação civil pública movida pelo MPF contra a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Petrobras.

A sentença assinada pelo juiz Anselmo Gonçalves da Silva diz que existem outras duas ações com o mesmo teor em tramitação na Justiça, algo proibido pelo ordenamento jurídico brasileiro. Além disso, determina aplicação de multa ao MPF por litigância de má-fé, ou seja, interpreta que o órgão entrou com nova ação para prejudicar o processo em andamento.

No novo recurso, o MPF afirma que a sentença ignorou riscos graves ao ecossistema marinho, descumpriu compromissos climáticos do Brasil e desrespeitou tratados internacionais sobre direitos humanos. 

Argumenta ainda que surgiram fatos recentes que comprovam a insegurança da atividade na região, como o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar na operação de uma sonda em janeiro deste ano.

O MPF também diz que a autorização inicial do Ibama previa apenas a perfuração de um poço chamado Morpho durante cinco meses, mas o cronograma teria sido alterado para permitir a abertura de quatro poços com atividades até 2029. Algo que, segundo o MPF, demandaria novos estudos ambientais.

Para os procuradores, outro ponto central do recurso é a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas e às comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará, um direito garantido pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Inscrições de trabalhos para Fórum de Educação Ambiental terminam nesta quarta, 30


As inscrições para o 10º Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (FBEA) terminam na próxima quarta-feira (30) para estudantes e profissionais que vão apresentar trabalho sobre o tema. O encontro ocorrerá de 23 a 28 de novembro deste ano, em Brasília.

Poderão ser inscritas pesquisas, relatos de experiência, práticas educativas, projetos, ações comunitárias e tecnologias sociais de educação ambiental que cumpram os requisitos publicados no edital de submissão, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Para participar é necessário fazer a inscrição online e pagar a taxa de inscrição que varia de R$ 20 para estudantes da educação básica a R$ 70 para profissionais que não sejam professores.

As inscrições permanecerão abertas até o último dia do fórum para os participantes que não apresentarão trabalhos. A entrada é gratuita para professores e estudantes da educação básica do ensino público e particular, além de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Com o objetivo de compartilhar conhecimentos, ampliar redes de cooperação e fortalecer políticas públicas de educação ambiental, o fórum traz este ano o tema Educação Ambiental pela Vida.

Na programação, além da apresentação dos trabalhos, haverá outras atividades como mesas temáticas, oficinas e uma feira de economia solidária, com produtos da agricultura familiar.

Serão abordados temas relacionados à educação ambiental como a educomunicação informal, justiça ambiental, justiça climática, lutas populares, políticas públicas, redes e territórios, participação, mobilização e controle social.

Além do MMA, o encontro é realizado pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea), o Instituto Brasília Ambiental (Ibram/DF), a Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental (Anppea) e Universidade de Brasília (UnB).

Com informações da Agência Brasil

Como o El Niño está alterando a temporada de furacões


Se este fosse um ano como os outros, alguns furacões já teriam se formado no Oceano Atlântico. Em 2005, por exemplo, um dos anos em que mais se registraram furacões, cinco deles já haviam atravessado o Oceano Atlântico nessa época do ano, incluindo o Katrina, um dos mais devastadores da história dos Estados Unidos.

Mas 2026 tem sido diferente. Até o dia 23 de setembro, apenas seis tempestades tropicais haviam se formado no Atlântico Norte, e nenhuma delas se intensificou a ponto de se tornar um furacão. 

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), esta é a primeira vez que isso acontece desde o início do monitoramento por satélite, em 1966.

"Na era dos satélites, nunca tivemos um ano sem furacões", afirmou Matthew Rosencrans, meteorologista responsável pelas previsões da temporada de furacões no Centro de Previsão Climática da NOAA. "Seria uma situação inédita."

Em grande parte, isso se deve à atual fase da "Oscilação Sul-El Niño", um ciclo de mudanças nos ventos e nas temperaturas da superfície do Oceano Pacífico que influencia padrões climáticos em todo o mundo e é considerado um dos principais fatores que determinam a atividade de furacões. 

Meteorologistas afirmam que o El Niño deste ano poderá estar entre os mais intensos já registrados.

Com informações do g1

Saneamento: 20% dos principais candidatos têm planos abrangentes


Levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil com 62 principais candidatos a governos estaduais constatou que apenas 13 deles têm planos abrangentes para a área de saneamento. 

A pesquisa foi feita a partir da análise dos planos de governo daqueles que tinham maior probabilidade de serem eleitos ou disputarem o segundo turno, de acordo com pesquisas de intenção de voto, divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro deste ano.

O Trata Brasil, uma organização da sociedade civil de interesse público voltada para a conscientização da sociedade sobre a importância do saneamento, analisou quatro eixos desta política pública: planejamento, regionalização e coordenação para a universalização; viabilização de investimentos e superação de gargalos para a universalização; governança e regulação do saneamento básico; e metas tangíveis.

A partir dessa análise, foram atribuídos níveis a cada candidato, com base no número de eixos abordados em seus planos de governo.

Os níveis são: ausente, quando o candidato não menciona saneamento em nenhum trecho da proposta; superficial, quando envolve apenas um eixo com profundidade suficiente; transversal, quando desenvolve dois ou três eixos; e abrangente, quando a proposta abrange os quatro eixos analisados.

O Trata Brasil constatou que todos os 62 candidatos abordaram pelo menos um eixo em seu plano. Cinco propostas foram consideradas superficiais. Classificadas como transversais são 44 propostas, das quais 15 abordam dois eixos e 29, três. Treze planos incluem os quatro eixos.

Segundo a presidente executiva do instituto, Luana Pretto, de modo geral, os planos de governo dos candidatos citam o tema saneamento básico, ainda que transversalmente.

"De quatro anos atrás para agora, o tema começou a ser mais evidente. Entretanto, ainda é visto de uma maneira pouco abrangente. A grande questão é se comprometer com metas claras e objetivas, ou seja, saber qual é o percentual de água e esgoto que eu tenho hoje e qual é o percentual que eu vou entregar no final do meu mandato”, ressalta.

Entre as propostas mais específicas, universalização é a que mais aparece entre os planos dos candidatos (87%), seguida por drenagem (76%), saneamento rural (66%), investimentos (58%), regionalização (45%), população vulnerável (35%), regulação (32%), metas tangíveis (26%) e governança de dados (24%).

“Oitenta e sete porcento dos candidatos falam de universalização, só que apenas 26% colocam metas. Então, eu falo de universalização, mas eu não me comprometo com meta. E isso é um problema", avalia Luana.

"Eu falo de universalização, mas eu não falo de regulação, que é um tema muito importante quando a gente olha que as agências reguladoras têm que ser técnicas, independentes e fortalecidas para cobrar tanto a expansão dos serviços quanto a operação eficiente desses serviços”, acrescenta.

Para o Instituto Trata Brasil, a presença do assunto saneamento em todos os planos de governo não significa, necessariamente, compromisso estruturado dos candidatos. Além disso, a pesquisa mostra que a pauta entrou no debate eleitoral, mas ainda precisa ganhar maior profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento.

“Acre, Maranhão e Amazonas, que são estados com indicadores bastante ruins, ainda têm candidato praticamente não citando o saneamento básico", observa a presidente executiva do Trata Brasil.

"O que seria o ideal é que, em estados onde a gente tem um indicador muito ruim de saneamento, a gente deveria ter os candidatos comprometidos com o tema, porque faltam sete anos para universalizar o saneamento e, se ele não se comprometer agora, coloca em risco o atingimento dessa meta”, completa Luana Pretto.

Com informações da Agência Brasil 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Elevação do nível do mar destrói casas e apaga praias na Califórnia; o pior está por vir?


Em Malibu, o Oceano Pacífico abriu um buraco perto da casa do astro de cinema Nicolas Cage e causou estragos em propriedades à beira-mar. Ao longo da Beach Road, na cidade de Dana Point, as ondas destruíram uma casa e obrigaram a prefeitura a desocupar ou restringir a ocupação de outras 16.

Esses danos, que se estenderam por todo o sul da Califórnia neste verão, foram provocados por uma série de ciclones e furacões do Pacífico Oriental, intensificados pelo fenômeno climático conhecido como El Niño. 

Embora os furacões não tenham atingido o continente na Califórnia, eles geraram ondas gigantes que se chocaram contra a costa, arrancando a areia das praias e transformando um litoral que faz parte da identidade da Califórnia tanto quanto Hollywood ou o Vale do Silício.

Especialistas afirmam que ondas ainda mais violentas podem chegar nos próximos meses, quando ciclos climáticos naturais, intensificados pelas mudanças climáticas, podem coincidir com as marés mais altas.

“Tudo indica que este será um inverno bastante épico em termos de riscos potenciais”, disse Patrick Barnard, diretor de pesquisa do Centro de Resiliência Climática Costeira da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. “Tudo é amplificado pelas mudanças climáticas.”

A Califórnia declarou preventivamente, nesta semana, estado de emergência para ajudar a mobilizar equipes de resgate e de primeiros socorros, em preparação para mais turbulências causadas pelo El Niño, que surgiu em junho. A previsão é de que o fenômeno demonstre seus maiores efeitos até o final do ano e no início de 2027.

Com informações do g1

domingo, 27 de setembro de 2026

ONU aprova resolução que pede ações mais contundentes contra elevação do nível do mar


Em 2024, o nível médio do mar em escala global aumentou quase seis milímetros, o maior incremento anual já registrado, e prevê-se que suba um metro ou mais até o final do século, caso não sejam tomadas medidas drásticas.

"O aumento do nível do mar se mede em milímetros, mas seu custo se mede em milhões de vidas destroçadas, comunidades desenraizadas e futuros roubados", afirmou o secretário-geral António Guterres.

"Não podemos permitir que países e culturas desapareçam sob as ondas", acrescentou. Os pequenos Estados insulares vêm alertando sobre essa ameaça desde 1989.

A resolução busca dar novo impulso aos esforços para enfrentar o problema: reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fornecer financiamento aos países vulneráveis.

Mesmo pequenos aumentos do nível do mar implicam riscos graves, explicou Tom Mortlock, analista sênior de pesquisa sobre catástrofes na Aon.

As soluções baseadas na natureza, como os manguezais, "podem reduzir o risco costeiro, mas também podem enfrentar o problema central que temos com a mudança climática, que é a captura e a mitigação do carbono", afirmou Mortlock.

As projeções indicam que inundações que hoje poderiam ocorrer uma vez a cada 50 anos com os níveis atuais do mar podem acontecer a cada três ou quatro anos se o nível do mar subir meio metro.

Com informações do g1

sábado, 26 de setembro de 2026

Pesquisadores descrevem nova espécie de rã-de-vidro no Cerrado


Uma nova espécie de rã-de-vidro foi descrita e nomeada de Vitreorana micaelae após ser localizada em Luziânia, no estado de Goiás. A descoberta científica é resultado de esforço integrado de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB).

A pequena rã esverdeada e quase transparente chamou a atenção do grupo de pesquisadores liderados pelo biólogo Wilian Vaz-Silva nas matas de galeria que margeiam os pequenos riachos afluentes Rio Corumbá, no bioma Cerrado. Mesmo parecendo com outras espécies existentes, eles decidiram investigar.

“Depois que esses animais foram encontrados, e o canto gravado, a gente partiu para avaliação, a comparação com outros grupos das rãs-de-vidro, porque essas rãs de vidro são, de modo geral, mais restritas à Mata Atlântica e Amazônia”, diz um dos biólogos autores do estudo, Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário.

Espécie

A partir de trabalho integrado de diferentes áreas do conhecimento: morfologia, bioacústica, genética molecular e o próprio trabalho de campo, os pesquisadores concluíram que se tratava da 11ª espécie do gênero rã-de-vidro, das quais, apenas quatro são encontradas no território brasileiro e esta é a segunda que só ocorre no Cerrado.

Segundo Brandão, além de um material molecular diferente das espécies já conhecidas pela ciência, foram identificadas características únicas nos indivíduos analisados. “Do ponto de vista bioacústico, é um bicho com muito menos notas de canto. Tem diferenças sutis, mas consistentes, na forma da íris, na pigmentação dorsal e na morfologia, especialmente da região próxima à cloaca [orifício terminal para excreção e com fins reprodutivos]”, explica.

De acordo com os pesquisadores, a ausência de maiores conhecimentos sobre a espécie, inclusive entre a comunidade local é justificada pelos hábitos da Vitreorana micaelae.

“Esse bicho canta no alto de árvores em barrancos inclinados na beira do rio, e só quando está chovendo intensamente. Então, mesmo para a gente que está em campo procurando esses animais ativamente, leva tempo até encontrar populações na região”, diz.

Essa dificuldade de acesso, somada ao tamanho de pouco mais de 2 centímetros e a ocorrência espalhada de indivíduos, não permitiu a associação da espécie a um nome popular já utilizado pelas comunidades locais.

“As pessoas têm mais nomes populares para anfíbios que cantam de forma mais evidente, como sapo-martelo, sapo-cachorro. Então, são espécies que quando você vai ver nem sapo é, é perereca ou é uma rãzinha”, diz Brandão.

Relato anterior

Durante o estudo, os pesquisadores também puderam compreender melhor o processo reprodutivo da espécie, bastante similar ao das outras espécies que pertencem ao mesmo grupo Vitreorana.

“O casal coloca os ovos em cima de folhas de árvores, árvores altas. Os ovos ficam grudados sobre a folha. O macho toma conta. E após a eclosão, esses girinos caem no riacho que fica lá embaixo. E aí eles se enterram no sedimento dos riachos.”

Essa similaridade é o que pode ter levado outros pesquisadores que relatarem indivíduos nessa região do Cerrado, em 2013, terem a identificado como uma espécie já descrita. “Eles identificaram como [Vitreorana] eurygnatha e não perceberam que era uma espécie nova”, conta o pesquisador.

Classificação

O estudo que descreveu a espécie foi publicado na edição de setembro da revista científica ZooKeys e recomenda a classificação da Vitreorana micaelae, no sistema da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) como Dados Insuficientes (DD, na sigla em inglês), devido a necessidade de conhecer tamanho populacional e ameaças à espécie.

“Depois desse estudo nós já identificamos mais uma localidade no Cerrado com a presença da espécie. Até agora são três, mas isso é novidade, está em estudo e não foi publicado ainda”, acrescenta Brandão.

O nome escolhido para a espécie demonstra a colaboração entre os cientistas que trabalharam no estudo, sendo uma homenagem à também bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa de Wilian Vaz-Silva.

Ameaça

O esforço conjunto representa uma corrida contra o tempo, já que mudanças climáticas que mudam o regime hídrico e a interferência do homem no Cerrado, com o desmatamento e o represamento de rios para pequenas hidrelétricas, impactam diretamente nos habitats de anfíbios como a pequena Vitreorana micaelae.

Essas ameaças podem extinguir espécies que ainda nem mesmo foram conhecidas pela ciência. “Menos chuva, menos riachos, menos sapos e rãs e menos descobertas”, conclui Reuber Brandão.

Com informações da Agência Brasil

Chuva chega ao interior do Nordeste depois de seca prolongada


As chuvas avançam pelo interior do Nordeste desde a sexta-feira (25) e chegam à região agrícola do Matopiba, entre o Maranhão, Tocantins, Piauí e a Bahia, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O céu fica com muitas nuvens em toda a região, que terá pancadas de chuva e trovoadas isoladas entre o Maranhão e o Piauí. Há aviso amarelo de perigo potencial de tempestade no centro-sul baiano e, no oeste da Bahia, as chuvas ocorrem de forma isolada.

Pode chover também de forma isolada no oeste e norte do Maranhão, norte e sul do Piauí, no centro, sul e leste da Bahia, no litoral oeste do Ceará e na faixa litorânea entre Sergipe e o Rio Grande do Norte.

Os termômetros nas capitais permanecem elevados, com a mínima de 20°C em Maceió e a máxima de 37°C em Teresina.

No Norte do país também há alerta amarelo de perigo potencial para chuvas intensas no centro, oeste e noroeste do Amazonas e no sudoeste de Roraima. No restante dos dois estados, sul do Pará e no Tocantins a previsão é de chuva com trovoadas.

Nas capitais, a temperatura mínima esperada para é de 22°C em Rio Branco e a máxima de 37°C em Porto Velho.

No Sul, o sol predomina na maior parte da região. A exceção é para o sul do Rio Grande do Sul, onde há aviso amarelo de perigo potencial para tempestade com queda de granizo. No restante do estado, há possibilidade de chuva isolada.

A temperatura sobe bastante e não há mais previsão de geada. Entre as capitais, a mínima será de 10°C em Curitiba e a máxima de 26°C em Porto Alegre.

No Sudeste do país, o céu fica com muitas nuvens em grande parte da região, e ocorrem chuvas isoladas no noroeste, oeste, centro e sudeste de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

A temperatura entra em rápida elevação e atinge, nas capitais, 29°C no Rio de Janeiro, enquanto a mínima fica em 15°C em São Paulo.

No Centro-Oeste, as áreas de instabilidade devem se concentrar entre o norte e leste de Mato Grosso, norte de Goiás e o Distrito Federal, onde ocorrem pancadas de chuva com trovoadas isoladas. 

As temperaturas continuam aumentando e, entre as capitais, a mínima é de 18°C em Campo Grande e a máxima de 40°C em Cuiabá.

Com informações da Agência Brasil

Inmet emite alerta de grande perigo por onda de calor no fim de semana


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta vermelho, que caracteriza grande perigo, para uma onda de calor que deve se estabelecer no país a partir deste sábado (26). A previsão é que, até a próxima quarta-feira (30), oito estados possam registrar mais de 40 graus Celsius (ºC).

O instituto explica que uma onda de calor é a persistência, no mínimo por cinco dias consecutivos, de termômetros ao menos 5ºC acima da média histórica das temperaturas máximas em um período.

Isso significa que, se uma região registra até 30ºC historicamente nesta época, é considerada onda de calor a repetição de 35ºC por ao menos cinco dias. Mas, se uma região já costuma registrar máximas de 38ºC, não há alerta de onda de calor mesmo se as temperaturas chegarem a 40ºC. Mesmo assim, as altas temperaturas exigem cuidados da população e das autoridades.

Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná estão abrangidos pelo alerta em toda a sua extensão. Já Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso devem registrar o fenômeno na porção mais ao sul de seus territórios, incluindo Cuiabá e a capital fluminense.

Mesmo que os critérios técnicos para definir uma onda de calor não sejam atingidos em unidades da Federação como Tocantins, Distrito Federal, Bahia e Espírito Santo, o Inmet alerta que também haverá altas temperaturas.

40 graus

A partir deste fim de semana, os termômetros podem marcar mais de 40ºC, o que já ocorre desde quinta-feira (24) em 16 localidades monitoradas pelo Inmet no Piauí, Tocantins, Goiás e Mato Grosso.

No sábado (26), essa marca deve ser atingida principalmente em áreas do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com destaque para Corumbá (MS), Porto Murtinho (MS) e Poconé (MT).

No domingo (27), mais áreas estarão sob esse calor intenso, que alcançará Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do noroeste de São Paulo, Triângulo Mineiro, sul do Tocantins e Piauí.

O fenômeno continuará a ganhar força na segunda-feira (28), e as localidades com possibilidade de superar 40°C incluem Cuiabá (MT), Rondonópolis (MT), Corumbá (MS), Porto Murtinho (MS), Três Lagoas (MS), Água Boa (MT), Barra do Garças (MT), Goiás (GO), Quirinópolis (GO), Ituiutaba (MG), Jales (SP), Gurupi (TO) e Araguaçu (TO).

Segundo o Inmet, na terça-feira (29), o núcleo das maiores temperaturas permanece sobre Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Triângulo Mineiro, com possibilidade de valores superiores a 40°C em diversas localidades.

Na quarta, uma frente fria deve chegar ao Sul do país, reduzindo as temperaturas na região e em Mato Grosso do Sul. O calor deve se concentrar em áreas de Mato Grosso, Pará, Goiás, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Piauí.

Com informações da Agência Brasil

Estudo prevê até 13,3 mil mortes no Brasil com calor do Super El Niño


O calor extremo causado pelo Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado na última quarta-feira (23).

O país deve ser o mais afetado na América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.

Ao todo, são esperadas, até fevereiro de 2027, 451 mil mortes no planeta com a ocorrência mais intensa do El Niño nos últimos anos.

"Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte", afirma Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor na Universidade de Chicago.

"Esse número (...) inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, complementou o cientista norte-americano, ao alertar sobre a mortalidade.

Pela projeção dos cientistas, por causa do Super El Niño, que começou em junho de 2026, os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027, ficando pelo menos 1,2 grau Celsius (ºC) acima do normal, em comparação com anos anteriores, o que pode se intensificar no verão.

Sul global será mais afetado

Segundo o relatório, as regiões que tendem a ser as mais afetadas pelo Super El Niño estão concentradas no Sul global.

O Brasil está entre os cinco países com maior número estimado de mortes, na quinta posição do ranking, segundo o relatório. O período mais crítico no país deve ser o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O levantamento chama atenção para estimativas mais altas de mortalidade no Norte e Nordeste, com destaque para o Pará, com a morte estimada de 2,3 mil pessoas, Maranhão, com mais 1,3 mil, além de Amazonas e Bahia, com 1,2 mil cada.

O país se prepara com a instalação de bases do Ministério da Saúde, chamadas de Força Nacional do Sistema Único de Saúde, que contam com equipamentos e pessoal para atuar durante emergências e desastres.

 

Rio de Janeiro (RJ), 26/12/2025 – Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na lista dos países em situação mais crítica, o Brasil é antecedido por Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria.

No continente americano, o país mais próximo do Brasil são os Estados Unidos, com 3,5 mil mortes a mais do que em um ano normal. Venezuela, com 2,3 mil mortes adicionais, e Colômbia, com 2,2 mil, também se destacam.

No continente africano, o relatório projeta 67 mil mortes, sendo a maior parte de vidas a serem perdidas no Sahel, região de transição entre o Saara, ao norte, e as savanas, ao sul.

Quase metade dessa estimativa de vítimas deve se concentrar na Nigéria. O país sofrerá com 31,4 mil mortes, à frente do Sudão, que enfrentará 17,5 mil mortes adicionais por calor, do Níger, 10 mil, e do Chade, 8 mil.

No sudeste asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem chegar a 19,4 mil mortes acima do normal. E, na Índia, mais 15,8 mil.

Amostra do futuro

Os números estimados podem aumentar ainda mais caso o El Niño se prolongue, analisam os pesquisadores. Eles afirmam que o fenômeno é uma amostra das temperaturas que serão mais comuns daqui para frente, uma espécie de "cartão-postal do futuro", do que o planeta se tornará com o avanço das mudanças climáticas.

Para diminuir a mortalidade, os especialistas recomendam esforços humanitários multilaterais em ações comprovadamente eficazes, como alertas de calor, instalação de centros de resfriamento e pontos de hidratação, além de proteção da população mais vulnerável e trabalhadores. As medidas devem ser iniciadas desde já.

“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano. Mas, daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, disse Tamma Carleton, coautora do relatório.

Chefe de pesquisa do Laboratório de Impacto Climático e professora assistente da Universidade da Califórnia, Berkeley, ela alerta: “Precisamos mobilizar recursos agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas de preparação e planejamento que salvarão vidas nos próximos anos.”

Para calcular os números de mortos, os pesquisadores utilizaram estudos anteriores que relacionaram temperatura e mortalidade em diferentes regiões, considerando na conta o clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação de cada país e região.

Com informações da Agência Brasil

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Proteção da biodiversidade mundial demanda mais US$1,3 trilhão por ano


O enfrentamento à crise da biodiversidade, que põe em risco diversas formas de vida no planeta, inclusive a dos seres humanos, é um desafio que exigirá dos países esforços financeiros de US$ 1,317 trilhão ao ano, além do que já é investido atualmente.

O número é resultado de um estudo realizado pelas organizações sociais The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF) e Paulson Institute, que resulta no relatório Financing Nature 2026: uma atualização de meio de década - do progresso isolado à implementação em escala.

As organizações acompanham a evolução dos investimentos globais na proteção da natureza desde 2020, quando foi publicado o primeiro relatório. Os pesquisadores comparam essa evolução com a necessidade de recursos para proteger as espécies da fauna e da flora, e a distância, chamada de déficit, só aumentou.

Nesses seis anos, o déficit de financiamento para conter a crise da biodiversidade quase dobrou, saindo de US$ 711 bilhões para os atuais US$ 1,317 trilhão.

Na avaliação de Carter Roberts, presidente da WWF nos Estados Unidos, não faltam mecanismos para financiar a natureza. Alguns exemplos são o mercado de carbono e os Acordos de Financiamento de Projetos para Permanência (PFP, na sigla em inglês), que impulsionam a criação de áreas de conservação por meio de um fundo de transição para financiamento da implantação do projeto.

“Este relatório comprova que essas estratégias funcionam, mas também deixa claro que precisamos implementá-las no ritmo e na escala exigidos pela perda da natureza”, afirma Roberts.

"Investimento em destruição"

O estudo também aponta a prática, por muitos países, de políticas prejudiciais que colocam em risco a natureza e as economias. De acordo com o relatório, para cada dólar investido na proteção da natureza, 30 são destinados à sua destruição.

“Hoje, em um único mês, os governos gastam mais com subsídios prejudiciais à natureza do que investem em sua proteção ao longo de um ano inteiro”, afirma Henry M. Paulson Jr., presidente do Paulson Institute.

A reforma de subsídios seria capaz de liberar grande parte dos recursos necessários ao financiamento da natureza, afirma Paulson Jr.. “Quando governos acertam os incentivos, o capital tende a acompanhá-los.”

A partir da análise dos números verificados ao longo dos seis anos, os pesquisadores elaboraram um roteiro que apresenta os caminhos para ação como parte do Financing Nature 2026.

O que fazer

Entre as orientações, o relatório destaca a necessidade de:

  • reformar os subsídios prejudiciais;
  • ampliar iniciativas, como estratégias, operações cotidianas, concessões de crédito e investimentos bem-sucedidos;
  • enxergar a natureza como um ativo essencial à economia e não como um recurso gratuito.

O relatório também indica que governos e órgãos reguladores devem criar condições políticas e de mercado que permitam ampliar o financiamento da natureza. Os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e as Instituições Financeiras de Desenvolvimento devem usar seus balanços e instrumentos para mobilizar investimentos.

Por fim, a convergência das crises climática e da biodiversidade em um único desafio devem orientar as estratégias de governos, empresas e investidores em seus planos de desenvolvimento e investimentos.

"Não estamos começando do zero. Partimos de uma década de evidências sobre o que funciona e este relatório é um chamado para avançarmos a partir delas”, conclui Jennifer Morris, CEO da The Nature Conservancy.

Com informações da Agência Brasil

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

STF dá 2 anos para Congresso regulamentar mineração em terra indígena


Em meados de agosto deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu confirmar prazo de 24 meses para o Congresso aprovar uma lei e regulamentar a participação de indígenas na exploração mineral legal de seu território.

A Corte referendou uma decisão individual do ministro Flávio Dino, que, em fevereiro deste ano, reconheceu a omissão constitucional do Legislativo para tratar da matéria.

A decisão foi motivada por uma ação protocolada pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ) para que o Supremo reconheça a falta de aprovação de uma lei para que os indígenas tenham participação nos resultados do aproveitamento dos recursos hídricos e minerais presentes no território indígena, que está localizado em Rondônia.

A entidade alegou que os cinta larga sofrem constantes ameaças de invasão por garimpeiros e com conflitos violentos relacionados à exploração ilegal de minerais, fatores que provocam a falta de renda e a exclusão econômica dos indígenas.

Ao referendar a decisão de Dino, o plenário também definiu balizas para a exploração mineral, que deverão ser seguidas enquanto o Congresso não editar a lei.

  • A exploração deverá contar com a autorização dos indígenas. 
  • A autorização para mineração não poderá ultrapassar o uso de 1% da Terra Indígena Cinta Larga.
  • Estudos de impacto e planos de manejo sustentável também serão obrigatórios.
  • A fiscalização deverá ser feita pelo Ministério Público Federal (MPF).

Belo Monte

No ano passado, Dino determinou que comunidades indígenas afetadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Pará, tenham participação nos lucros da usina.

Conforme a liminar, as comunidades deverão receber 100% do valor que é repassado pela concessionária para a União. O ministro também deu prazo de 24 meses para o Congresso aprovar uma lei específica para tratar do assunto. 

Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Afetados pelo El Niño terão crédito extraordinário de R$ 64 milhões


O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, assinou nesta terça-feira (22) uma Medida Provisória (MP) que libera crédito extraordinário de R$ 64 milhões para amenizar os efeitos do El Niño no Brasil.

As comunidades que dependem da agricultura familiar e tiveram sua produção afetada estão entre as mais assistidas por esse dinheiro.

Do total de recursos, R$ 40 milhões serão direcionados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para a aquisição e distribuição de alimentos da agricultura familiar no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos.

Os outros R$ 24 milhões serão destinados à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em ações emergenciais destinadas ao fornecimento de alimentos, água potável e outros insumos essenciais em terras indígenas.

El Niño

O governo também lançou uma página dedicada ao El Niño que reúne informações oficiais sobre o fenômeno, os impactos que devem ser monitorados em cada região do país e as principais ações de preparação e resposta.

A plataforma traz ainda orientações para estados, municípios e para a população, além de informações sobre monitoramento, prevenção de desastres, assistência às áreas mais vulneráveis e medidas adotadas pelo Governo Federal para reduzir os efeitos do El Niño.

O El Niño é um fenômeno que se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica tornando os volumes de chuvas irregulares. Ele provoca seca no Norte e Nordeste do país, atraso das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, e enchentes na região Sul do Brasil.

Com informações da Agência Brasil

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